☽︎Sky and Signs

Réveillon: simpatias e tradições de Ano-Novo

A passagem de um ano para o outro é uma fronteira que ninguém vê, e por isso muita gente a marca com pequenos gestos: uma roupa branca, um pulo na onda, uma semente guardada na carteira. No Brasil, o Réveillon cai em plena noite de verão, e muitos desses costumes nasceram na praia, nas religiões de matriz africana e nas mesas de família. Cada casa guarda os seus, por tradição, por carinho ou simplesmente pelo gosto de começar o ano junto.

O céu na virada de 2026 para 2027

À meia-noite, no horário de Brasília, a Lua está em Libra, 37% iluminada, minguante. Nenhum destes costumes depende da fase da Lua. Esta página mostra como a Lua vai estar na noite da virada, para quem quiser olhar para ela depois dos fogos.

Ver o céu de São Paulo à meia-noite

As tradições

Vestir branco

Todo o Brasil

Na noite de 31 de dezembro, boa parte dos brasileiros se veste de branco, nas praias, nas ruas e em casa. Na umbanda e no candomblé, o branco é a cor de Oxalá, o orixá ligado à paz e à harmonia. Hoje muita gente o veste sem seguir essas religiões, pela ideia de começar o ano em paz.

Segundo a imprensa brasileira, o costume se espalhou nos anos 1970, quando fiéis do candomblé faziam suas oferendas vestidos de branco na praia de Copacabana e quem passava adotou a roupa.

Fonte

Pular sete ondas

Praias de todo o litoral brasileiro

Logo depois da meia-noite, quem está na praia entra no mar e pula sete ondas, fazendo um pedido a cada salto. Muita gente pula de frente para o mar e conta as ondas em voz alta, em grupo. Na umbanda, cada pulo também pode ser um pedido a um orixá diferente.

O costume vem da umbanda e da devoção a Iemanjá; o sete é um número sagrado ali, ligado às Sete Linhas de Umbanda.

Fonte

Flores e oferendas para Iemanjá

Praias do Rio de Janeiro e de muitas cidades do litoral

Antes da virada, fiéis da umbanda e do candomblé levam ao mar flores, perfumes e velas para Iemanjá, a Rainha do Mar. Muita gente que não segue essas religiões também joga flores brancas nas ondas, como agradecimento pelo ano que termina e pedido de proteção para o que começa. É uma oferenda religiosa, e merece o respeito de quem está em volta.

Iemanjá vem da tradição iorubá, da atual Nigéria. A reunião na praia de Copacabana na noite de 31 de dezembro foi incentivada pelo sacerdote umbandista Tata Tancredo da Silva Pinto no início dos anos 1950.

Fonte

Os fogos de Copacabana

Rio de Janeiro, e queimas de fogos em praias e capitais de todo o país

À meia-noite, uma multidão vestida de branco olha para o céu sobre a praia de Copacabana, onde acontece a queima de fogos mais famosa do país. O resto do Brasil acompanha pela televisão, ou na queima de fogos da própria cidade. Para muitas famílias, o ano só vira de verdade quando o céu se acende.

A festa na praia começou com as oferendas da umbanda; a queima de fogos teve início em 1987, lançada do alto do antigo hotel Le Méridien, e cresceu até virar o grande espetáculo de hoje.

Fonte

A cor da roupa, e da roupa de baixo

Todo o Brasil

Além do branco, muita gente escolhe a cor da roupa pelo desejo para o ano novo: amarelo para a prosperidade, rosa para o amor, vermelho para a paixão e a energia, verde para a esperança, azul para a serenidade. A escolha vale também para a roupa de baixo, de preferência nova, e o amarelo é a cor mais procurada.

A origem não está documentada com certeza; o costume passa de geração em geração.

Fonte

Lentilha na ceia

Todo o Brasil

Na ceia ou logo depois da meia-noite, come-se uma colher de lentilha, muitas vezes com arroz. Pelo formato redondo, os grãos lembram pequenas moedas, e por isso se diz que trazem fartura no ano que começa.

A origem não está documentada; a lentilha é servida há gerações como simpatia de fartura.

Fonte

Sementes de romã na carteira

Todo o Brasil, e também Portugal

Come-se romã na virada e guardam-se algumas sementes, muitas vezes sete, na carteira, onde ficam até o Réveillon seguinte. Como a fruta tem muitas sementes, a tradição a liga à abundância. Algumas famílias fazem a simpatia no Dia de Reis, em 6 de janeiro.

A ligação da romã com a fartura é antiga e vem do grande número de sementes da fruta; a origem da simpatia em si não está documentada.

Fonte

Doze uvas à meia-noite

Todo o Brasil

Quando o relógio bate meia-noite, come-se uma uva de cada vez, doze ao todo, fazendo um pedido para cada mês do ano. Há quem guarde as sementes na carteira depois, junto com as da romã.

O costume vem da Espanha, onde a imprensa de Madri já o descreve no fim do século XIX.

Fonte

Folha de louro na carteira

Todo o Brasil

Na virada, guarda-se uma folha de louro na carteira, e há quem escreva nela o próprio nome e o ano novo. A folha fica ali o ano inteiro, e se diz que assim o dinheiro não falta. Em muitas casas, as folhas são trocadas entre amigos e parentes na meia-noite.

A origem não está documentada; passa de mão em mão como simpatia de família.

Fonte

Nada de aves na ceia

Todo o Brasil

Na ceia de Ano-Novo, muita gente evita frango, peru e outras aves, porque elas ciscam para trás, e o ano deve andar para a frente. No lugar delas entram o pernil, já que o porco fuça para a frente, e o peixe, que só nada adiante; o bacalhau é um dos preferidos.

A origem não está documentada; é uma superstição antiga baseada no jeito como os animais se movem.

Fonte

A Corrida de São Silvestre

São Paulo

Todo 31 de dezembro, dezenas de milhares de corredores percorrem as ruas de São Paulo numa prova de 15 quilômetros. Muita gente assiste na calçada ou pela televisão antes de ir para a ceia. Para muitos paulistanos, é o último compromisso do ano.

O jornalista Cásper Líbero criou a corrida em 1925, inspirado numa prova noturna de Paris; ela era disputada à noite até 1989, e as mulheres correm desde 1975.

Fonte

Doze passas, a cadeira e as panelas

Portugal

Em Portugal, à meia-noite, comem-se doze passas, uma por mês, com um desejo em silêncio para cada uma. Há quem suba numa cadeira e desça com o pé direito, para entrar no ano com o pé certo, e quem bata tampas de panelas na janela para espantar o que o ano velho deixou.

As passas chegaram da Espanha; o barulho das panelas é ligado a costumes antigos de afastar os maus espíritos do ano que termina.

Fonte

O fogo de artifício da Madeira

Funchal, ilha da Madeira, Portugal

Na passagem de ano, a baía do Funchal se ilumina com um fogo de artifício lançado de dezenas de pontos nas encostas e no mar. Milhares de visitantes vão à ilha para essa noite, e a cidade inteira sai para olhar o céu.

O Guinness World Records reconheceu o espetáculo como o maior fogo de artifício do mundo entre 2006 e 2012.

Fonte

Por que a festa se chama Réveillon

Brasil

No Brasil, a noite da virada tem nome francês: Réveillon. A palavra vem de réveil, «despertar», porque quem participava da festa ficava acordado até a manhã. Hoje ela vale para tudo: a ceia, a festa na praia e a contagem regressiva.

O termo é registrado pela primeira vez na França do século XVIII, como nome dos jantares festivos da nobreza que duravam a noite toda.

Fonte

Estes costumes são tradição e companhia, não promessas: cada um os vive do seu jeito.